O feriado anuncia seu fim. As perguntas, como no post anterior, permanecem: eu mereceria um cuidado? Um plano? Uma visita? Enquanto isso não se responde, fiquei pensando nisso que sinto agora, a paixão.
Muito embora sem fogo, eu acho que fui mais feliz quando simplesmente amava. Não doía. Mas aí vem a constatação sequente: quando eu amava, só queria sentir esse friozinho na barriga. Para que mesmo?
Eu nunca soube conviver bem com a paixão. Nunca fui feliz com esse sentimento. Ele nunca foi pleno pra mim. Sempre me machucou. Me levou a lugares escuros que nem sempre consigo me lembrar. Fiz o inóspito pela paixão. Sofri. Sempre.
Me lembro de enormes mudanças que fiz por causa das paixões. De certa forma, minha vida foi levada por esse sentimento. Por ele mudei de cidade, encontrei rumos profissionais, fui capaz de mudar como em nenhum outro tempo. Só que eu não me lembrava da paixão. Ela já estava longe de mim há mais de cinco anos. Sim, eu não tenho certeza se fui apaixonado nem pelo meu namorado mais longo. Eu apenas o amava. Mas a paixão….
A paixão nunca foi feliz pra mim. Mas nunca, lembro, conheci seu retorno. Poucas vezes vi duas pessoas apaixonadas em encontro constante. Ao que tudo indica, isso vem acontecendo agora. Mas como dói. Dói.
Esse sentimento que tanto machuca me deixa aflito, inquieto, solitário. Eu perco a concentração em todos os assuntos possíveis. Parece que a minha cabeça gira em torno do mesmo eixo. E eu achava, no fundo, que não poderia mais ser pego por esse sentimento. Cá estou. Soterrado de paixão, de amor, dessa coisa que me explode o peito. E assim como sempre me paralisou, me ensinou a viver.
